sexta-feira, 8 de maio de 2009

A hora da borboleta

Sei que vai ser difícil acreditar, mas este texto era parte de uma história de terror, até aparecer essa música sexy, algo psicodélica, que raptou o excerto e tomou-o como seu. Não tentei um resgate, essas coisas acontecem, textos são tão volúveis quanto as pessoas em seus relacionamentos, e o que todo mundo busca, enfim, é um encaixe perfeito.


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texto - breno fernandes
leitura - verónika méndez
música - ugo sangiorgi

quinta-feira, 7 de maio de 2009

S2

Ele cedeu. Depois de muito insistir, desde a formação deste coletivo, o querido amigo e literato ("temporariamente despraticante") Saulo Dourado compareceu a uma reunião para o registro de alguns dos seus trabalhos. Dentre estes, uma frase.

O que fazer com uma frase? Muita coisa. A prova está aí.



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texto - saulo dourado
leitura - saulo dourado, joão vinícius, marcelino freire, bernardo de paula, álvaro andrade, breno fernandes e gabriel camões
música - joão vinícius e o espírito de maria bethânia, através de gabriel camões (capela incidental)

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Notícia de uma coluna social no jornal de segunda

A primeira vez que falei esse poema foi há duas semanas atrás no Corujão da Poesia da livraria Letras e Expressões lá do Leblon. Eu costumo iniciar de forma bem alegre a visualização do espetáculo que é essa mulher, e da sensação de fama e brilho e barulho e espanto que ela causa. Depois minha voz toma um aspecto mais duro, se envolvendo com o silêncio, revelando minimamente as cenas finais. Lá no Corujão, quando as cenas do poema chegaram ao fim todo mundo ficou em silêncio. Pensei que tivesse ofendido alguém (às vezes penso que esse texto é uma piada suja, gratuita, completamente idiota), tanto que por poucos segundos fiquei parado, olhando pro povo, querendo repartir a angústia que é chegar ao fim desse poema. Dei dois passos pra trás e assim foi. Aplausos. Os amigos vieram. Tem um buraco de bala no centro do livro.



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texto - gabe pardal
leitura - gabe pardal
produção musical - gabe pardal e joão vinícius
edição - alberto grosso

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Manual para um voo tranquilo (Marcelino descobre Pardal)

Este trabalho é um flagrante. Tendo em mãos o fanzine que o poeta e membro do Coletivo Gabriel Pardal distribui no Rio de Janeiro, com sua arte gráfica e poética, o amigo Marcelino Freire não resistiu a deliciar-se com os textos presentes no livreto. Na pausa de uma das gravações que veio fazer conosco, ele aproveitou para recitar um desses; curiosamente, o microfone já apontava pra o próprio Marcelino. Bom, era só apertar REC e registrar esse fantástico momento da descoberta de um grande poeta da nossa geração por outro, tão reluzente quanto. A prova de que arte não é concorrência. É admiração, respeito, descobertas e inspiração.



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texto - gabe pardal
leitura - marcelino freire

sábado, 2 de maio de 2009

Pelo bom uso do fogo

Vamos falar da mais pura subsistência, daquela que, em sua infinitude, desconhece a manifestação do ego e esvazia qualquer tentativa de acúmulo. Falar de quando o pote está cheio e é possível saborear a alegria de compartilhar; de quando, ausente a expectativa, se pode ver a mais límpida contemplação. Vamos falar desses momentos em que o mais corriqueiro pensamento visita a mais sublime descoberta, seja na atmosfera de um bom velho disco antigo ou na profunda magia de pescar canções no ar. Para que dentro desse instante possamos viver a grande causa que é a vida! Mesmo sem a legalização, ou sequer marcha; mesmo sem voz nos veículos de comunicação ou em filmes premiados na Alemanha, mas com a presença infinita do amor, sempre a frutificar como música o sorriso no coração de milhões. Até chegar o dia em que o homem seja reconhecido pela capacidade de propagá-lo e os encantados multiplicadores de hoje, sujeitos iluminados de uma causa sem fronteiras, se vejam ainda mais livres a ponto de serem aceitos em abraços por todos aqueles que condenam o seu modo de vida. E todo ser humano se libertará do karma da vingança, do eterno ciclo destrutivo da mente que se aprisiona no poder.

Se esta fala há de guiar os próximos dessa caminhada que nos antecede, que ela seja uma fala precisa. Uma fala que contemple toda a sabedoria de viver cada dia com aquilo que a natureza nos dá. Uma fala que traga consigo a suavidade e a envolvência de um reggae nayambinghi e que habite na imensidão de humildade que cada nova colheita haverá de nos trazer. Uma fala que, indo direto ao coração, faça a nossa satisfação da alma um fruto ainda mais verde.



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letra e música - cebola pessoa

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Arrocherie

Acho que tenho vergonha.

E acho que não sei o que fiz.



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texto - mariele góes
leitura - mariele góes
música - cebola pessoa

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Homo Erectus

Um luxo só! Para entrar para a pré-história. Digo assim: essa animação brilhantemente feita à mão pelo carioca RODRIGO BURDMAN em cima do meu conto "HOMO ERECTUS" (extraído do livro "BaléRalé", Ateliê Editorial, 2003). Sem contar a fenomenal narração do grande PAULO CÉSAR PEREIO. Encostem os ouvidos e olhos nesta aventura gráfica-sonora e bora-embora.



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texto - marcelino freire
animação - rodrigo burdman
narração - paulo césar pereio

terça-feira, 21 de abril de 2009

La Caverna

A Caverna: numa escuridão, estão presos os homens. Enjaulados, só conseguem olhar para o que está diante dos seus narizes. Nada de passeios, nada de ver a luz do dia. O dia, escuro sempre, se resume a ver passarem as sombras de um mundo distante. Mas estes homens não sabem sequer o que são sombras, porque não conhecem sequer a luz! As palmas para Platão, merecidas, nos levam a carregar dentro de nós um pouco destes homens: será que vivemos cerrados dentro de um calabouço de ecos, de sombras, em que aquilo que vemos é somente o que nós temos na nossa frente? Por que meus companheiros não me vêem? Por que não sou eu aquele que pode criar isto que chamam de sombra? Por que não posso, eu mesmo, ser a luz? A luz, branca chega cega, não pertence a este lugar, a esta caverna. Precisa-se, então, sair. Agora.




Vencedor do melhor curta universitário do festival Nontzefilm 2008 (Espanha).

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elenco - joaquin navamuel
produção & realização - edinaldo mota, garazi erdaide, mireia casadevall, nina neves, ticiane bicelli
direção artística - esther camacho
orientação - rosa martins sabarís [facultad de ciencias sociales y de la comunicación, universidade del país vasco, espanha]
trilha sonora - emerson taquari ["poema percursivo"]

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Boca

Entrada e saída.


acompanhe lendo


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texto - joão vinícius
leitura - joão vinícius
música - joão vinícius

domingo, 19 de abril de 2009

Poesia de outrora



Momentos vividos em outra época, palavras escritas agora, no presente. Poesia de outrora.

Texto saudosista. Uma espécie de fusão entre poema e prosa. Uma costura de pensamentos e lembranças de uma infância cada vez mais distante.

"Quando criança, como ninguém, sonhava ser alguém... Sem saber."



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foto - mariele góes
texto - gabriel camões
leitura - gabriel camões
música - joão vinícius

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Poesia Suja (Ato II)


De repente, a poesia perdida não está nas palavras, a sujeira não está na estrutura ou conteúdo, muito menos no lirismo...




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montagem - joão vinícius
texto - joão vinícius
leitura - joão vinícius
música - joão vinícius

terça-feira, 14 de abril de 2009

Poesia Suja (Ato I)


A Busca pela beleza perdida, a poesia não é mais bela, repentinamente desapareceram com ela e, pela escolha de dois caminhos, partindo de onde fora vista pela última vez, inicia-se a caçada, esta, dividida em três atos.



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montagem - joão vinícius
texto - joão vinícius
leitura - joão vinícius
música - joão vinícius

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Poema de um dia qualquer

É lamentável notar que alguns lutam sempre pela mesma causa. As causas deveriam mudar com as calças, pois é difícil ser rebelde sem elas. A vida é órfã de razão e propósito. Talvez seja por isso que tudo é absurdo quando visto, dito e observado fora do contexto original. Nada faz sentido depois de passado algum tempo. Os livros de Kafka estão velhos e caducos. Que me venham leitores revoltados! Os observadores estão cegos e dizem que o romantismo é o meu forte, o deboche também. Poema de um dia qualquer é uma dessas coisas, inteiramente, fora do contexto.


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leitura - robson carneiro
música - joão vinícius

domingo, 12 de abril de 2009

Eu corro

17h. O sol já não maltrata tanto. O ponto de partida pode ser o Porto da Barra. De início o aquecimento na baulastrada, em seguida uma corrida normal, como tantas vezes já havia feito e, como tantas outras, normal apenas no começo, até as lembranças e vozes internas te questionarem.

EXORCISAR É PRECISO!

Aumenta-se o ritmo, a corrida já não é mais na calçada, é no asfalto, é dada a largada, uma competição entre você, seus tormentos e os carros. A alma se solta, ganha asas e você já não acompanha o compasso dos pés tocando o chão.


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texto - danilo rohrs
leitura - joão vinícius
música - joão vinícius

sábado, 11 de abril de 2009

Pra mim, pra você

No final, como nem sempre o que sobra são flores, e muito menos bens materiais, o que resta são os desejos a serem repartidos.


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texto - joão vinícius
leitura - joão vinícius
música - joão vinícius

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Poesia sua

Transpirar é saudável. O suor parece um inconveniente, mas é um processo. Poetar também é saudável. A poesia parece diferente, mas também é um processo. Funkear também é saudável. O funk parece inconsequente, mas é um processo, por que não? Transpirar é preciso. Recitar não é preciso. Poesia com suor e uma pegada de funk soa como algo autêntico, ou melhor dizendo... SUA como algo autêntico.

Transpira, sua, transpira, sua... A poesia que já não é minha. Nem sua. A poesia sua...



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texto - gabriel camões
leitura - gabriel camões
música - joão vinícius e gabriel camões

terça-feira, 7 de abril de 2009

Madame Bovary (excerto)

Madame Bovary, romance escrito pelo francês Gustave Flaubert [1821 - 1880], é uma importante obra da literatura universal. Precursora do realismo, conta a história de Emma, uma mulher casada que tenta fugir da monotonia nos braços de outros homens. Não que Emma seja uma libertina, ela é apenas mais uma mulher iludida pela fábula do príncipe encantado.

Mas literatura não tem a ver apenas com o que se conta -- como se conta essa história é tão ou mais importante. E o trecho que reproduzimos abaixo é uma prova de como Flaubert sabia usar as palavras. 152 anos após sua publicação, o texto continua cheio de frescor. Um frescor que nunca se esgotará.



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texto - gustave flaubert
leitura - breno fernandes
música - cebola pessoa

domingo, 5 de abril de 2009

O Grande Gatsby (excerto)


Reunião do coletivo, 28/03. Eu e Breninho conversávamos sobre literatura, saquei O Grande Gatsby da minha estante e Breninho se lembrou de uma passagem do livro que lhe tocava demasiadamente. Após 20 minutos da procura pelo trecho, por entre as 221 páginas da edição da Abril Cultural de 1980, ele o achou, leu-o para mim. E era tanta a sinceridade com que lia, que incorporava o narrador, que parecia que o próprio Fitzgerald, desencarnado há 68 anos, lhe sussurrava os ouvidos. Não pude deixar passar aquele momento. Baseado em outra obra do próprio Fitzgerald, A Era do Jazz, desenvolvi uma atmosfera que se assimilasse a ela.



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imagem - francis cugat [capa da primeira edição de o grande gatsby, 1925]
leitura - breno fernandes
música - joão vinícius

Odisseia

O amor, o amor...


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texto - breno fernandes e joão vinícius
leitura - joão vinícius
música - joão vinícius

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Ensaio Geral (A Cidade)

Precisamos de algo mais engajado com nossa realidade moral e administrativa. Além do mais, acho que nossos contemporâneos cresceram cercados de heróis aposentados. E, apesar de termos vivido passagens interessantes na nossa cidade do Salvador, creio que muitos se esqueceram algumas delas, como a greve dos policiais de 2001, a invasão pela polícia na faculdade de direito da UFBA no mesmo ano, greves de ônibus..

Saliento-as para justificar que o que passamos não é menos romântico do que as passeatas que "esquecemos" de participar na década de sessenta. Infelizmente, apenas estas serão bravadas nos inflados e inflamados discursos dos futuros líderes de movimentos estudantis.


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letra & música - joão vinícius