segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Soneto da Encruzilhada / Reagente (ao vivo)

Retratos de nossa geração.



[ficha técnica]

texto - breno fernandes [soneto...] e gabriel camões [reagente]
leitura - breno fernandes [soneto...] e gabriel camões [reagente]
música - cebola pessoa
captação - cebola pessoa
edição - joão vinícius

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

PVC / Caixa de Saída (ao vivo)

No último dia 23, o Coletivo fez uma pequena apresentação durante a festa de despedida de nossa querida integrante Marccela Vegah, que vai passar um tempo fora, aumentando o time do Muito Barulho Por Nada do outro lado do oceano. Nos próximos posts, disponibilizaremos alguns registros dessa performance, com poemas já divulgados aqui ou inéditos, como é o caso destes dois:



[ficha técnica]

texto - gabe pardal [pvc] e gabriel camões [caixa de saída]
leitura - gabe pardal [pvc] e gabriel camões [caixa de saída]
música - joão vinícius [caixa de saída]
captação - cebola pessoa
edição - joão vinícius

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Inadequação e só

Tem manhãs que se fundem na tarde, que viram noite sem vir a madrugada.

Tem dias que se tornam semanas, meses, anos, décadas, bodas de ouro, séculos, milênios e eras.

E continuamos fora do compasso, por momentos, segundos, que são tão duradouros. É o sentimento de estar inadequado. E nada mais.


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[ficha técnica]

texto - marccela vegah
leitura - breno fernandes
música - joão vinícius

domingo, 20 de dezembro de 2009

Ode a Carybé

Carybé (1911 - 1997) é um dos mais famosos artistas plásticos da Bahia.

Mas, antes, foi um homem que soube aproveitar a vida.

Se mais não conto, é porque prefiro que quem o faça seja Tatiana Mendonça, através do belíssimo perfil que escreveu sobre Carybé para a revista Muito.

O áudio abaixo é uma recorte deste texto. Obrigado por nos deixar cometer este crime, Tati.



[ficha técnica]

texto - tatiana mendonça
leitura - breno fernandes, joão vinícius e gabriel camões
música - baden powell [percussão e batuque. Baden, 1968]

sábado, 19 de dezembro de 2009

Psigoze

"Psicose é um termo psiquiátrico genérico que se refere a um estado mental no qual existe uma 'perda de contacto com a realidade'. Nos períodos de crises mais intensas podem ocorrer, irá variar de caso a caso, alucinações ou delírios, desorganização psíquica que inclua pensamento desorganizado e/ou paranóide, acentuada inquietude psicomotora, sensações de angústia intensa e opressão, e insônia severa. Tal é frequentemente acompanhado por uma falta de 'crítica' ou de 'insight' que se traduz numa incapacidade de reconhecer o carácter estranho ou bizarro do comportamento. Desta forma surgem também, nos momentos de crise, dificuldades de interacção social e em cumprir normalmente as actividades de vida diária. (...) Na psicanálise, a psicose causou dificuldades teóricas para Freud..."
_

"O sangue desta mesma cena, na verdade, é calda de chocolate."

[Wikipedia]





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texto - álvaro andrade
leitura - marcelino freire
música - cebola pessoa

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Tatuagem

Esta é uma releitura de um trabalho já postado, agora com uma versão exclusivamente em áudio e não-minimalista de um texto curto, direto e desmantelador de tatuagens.


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texto - saulo dourado
leitura - saulo dourado e joão vinícius
música - joão vinícius

domingo, 13 de dezembro de 2009

Sou Livro

A literatura é uma estrada infinita por onde transita a liberdade.

É ela quem cria o ponto de conflito mais prazeroso que já tive contato, ao prender o nosso olhar e coração a um livro e ao mesmo tempo nos fazer flutuar em sonhos, idéias e pensamentos.

O livro é a comida da alma. E é também o passaporte para uma viagem a esse infinito caminho por onde voam os nossos pensamentos.



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[ficha técnica]

texto - gabriel camões
leitura - breno fernandes
percussões - joão vinícius

domingo, 6 de dezembro de 2009

Descida

O agradecimento é sempre uma abstração menor, um gesto que sentimos por completo e expomos pelo meio. Às vezes desejamos tanto que a repetição da palavra "amor" pende como um mal-me-quer, que abraçar com muita força apenas estala, que beijar todas as partes do corpo é pouco. A expressão total do nosso desejo só chegaria ao nível do absurdo, só se aplacaria caso, como seres amorfos, pudéssemos nos desintegrar e nos retornar. Como dizer da vontade gigantesca, que vai dos pés ao topo da garganta, como falar de um poema, este susto procurado?



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[ficha técnica]

texto - saulo dourado
leitura - saulo dourado e marccela vegah
trilha - joão vínícius

sábado, 5 de dezembro de 2009

Baratas


Todos temos um lado perverso. Poucos falam, outros ainda menos o expõem. Quando seca a poesia o que resta é perversão - a pior ou a melhor possível.



href="http://coletivombpn.vilabol.uol.com.br/baratas.html">acompanhe lendo

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imagem - mariele góes
texto e leitura - verónika méndez
música - kale

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Descontrole Remoto


MARCELINO - Vejam só: em passagem por Salvador, eis que fomos parar (eu e o amigo Bernardo de Paula) na casa-quarto-estúdio do Coletivo Muito Barulho por Nada. Tudo de bom essa turma. E logo saquei a minha arma: um texto inédito intitulado "DESCONTROLE REMOTO". Foram logo dizendo: vamos gravar? E eu gravei. O resultado aí está: com trilha certeira e saravá!

MBPN - Benditos sejam aqueles dois dias de Marcelino em Salvador. Na primeira noite, após a Bienal do Livro, já estávamos todos na mesa de bar. Na segunda -- vale lembrar que esta sessão foi regada a muita cerveja -- literatura e música. Ah, já ia esquecendo.. e de amendoim também!



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texto e leitura - marcelino freire
música - joão vinícius

domingo, 8 de novembro de 2009

Samba da Judia

Ê, laiá! Samba de gafieira!

Pode chegar, pode chegar! Samba da Bahia.

Diretamente do Morro do Gavazza: Muito Barulho Por Nada.

Na Bahia tem samba, na Bahia tem judeu, na Bahia tem judia.

Por isso a gente canta:



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letra - álvaro andrade, gabriel camões e robson carneiro
refrão - zeca pagodinho
música - gabriel camões e joão vinícius
voz - gabriel camões

sábado, 31 de outubro de 2009

Por que o amor tem que ser tão triste?

Baseada na canção Why does love got be so sad, da banda Derek and the Dominoes, e também nas canções do seu Layla and assorted love songs, essa é uma declaração de amor a uma obra, e não (necessariamente) a uma pessoa.



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letra, música e voz
- joão vinícius

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Samanta Sem Sual

Samanta saiu sem sentir saudade
Samanta sumiu subitamente
Samanta sentiu sinceridade
saiu sem simular se sente:
ciúme, samba, sabor.

Sumiu Samanta...



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letra, melodia e música - joão vinícius

domingo, 25 de outubro de 2009

Dia das crianças

Trago, para celebrar a passagem do dia das crianças, com algum atraso mas ainda assim validado, um passeio pelo ENEARTE sob a óptica de um garoto em plena aventura, navegando as possibilidades artísticas do seu tempo.



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captação e fotografia - marceleza
edição e trilha Sonora - cebola pessoa

domingo, 11 de outubro de 2009

O Espelho (Veado Velho)

A necessidade da juventude por um outro ângulo. O reflexo, o desejo e o egoísmo.



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texto, leitura e música - joão vinícius

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O meu olhar

Este texto não me pertence (João Vinícius). Em 2006, Gabriel Camões me enviou uma letra para a banda que tínhamos. A música não aconteceu, mas, três anos depois, encontrei o texto no fundo do baú, mais rindo que chorando.



[ficha técnica]


texto - gabriel camões
leitura - joão vinícius
música - joão vinícius
telefonema incidental - breno fernandes

domingo, 4 de outubro de 2009

Lados B

Às vezes revemos nossos trabalhos como revemos nossas vidas. Nesta postagem, eis os primeiros olhares sobre dois trabalhos já postados: Happy Monday e La Culture Émotionnelle.

A primeira é uma versão cantada com simplicidade, em capela, arrítmica.

A segunda, dueto recitado de improviso.

De brinde, uma versão instrumental de La Culture Émotionnelle, feita de encomenda para um curtametragem cujo diretor chegou até nós através do blog.

Happy Monday (versão abstrata)



[ficha técnica]

texto e voz - marccela vegah
música - joão vinícius



La Culture Émotionnelle (versão recitada)


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texto - marccela vegah
dueto - marccela vegah e álvaro andrade
melodia e violão - joão vinícius



Dia dos Namorados


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melodia e música - joão vinícius

domingo, 27 de setembro de 2009

Rocío

Eu sou contra a chapinha.


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texto - breno fernandes
leitura - lois blanco
música - cebola pessoa

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Sevirologia

Sempre tive uma fascinação pelas páginas em branco do fundo dos livros. Lá está a incompletude da obra, o espaço de interação entre o autor e o leitor. À imagem e semelhança vejo as relações de trabalho, onde a cada dia que passa uma geração mais capacitada e criativa chega ao mercado de trabalho e se dá conta do vazio das hierarquias e burocracias. Por um trabalho que valorize estas potencialidades!

(Esta vinheta foi uma das selecionadas do tema "De que trabalho o mundo precisa?" pelo Portal da Eletrocooperativa)



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texto, leitura e música - cebola pessoa

domingo, 13 de setembro de 2009

Tatuagem

Pergunte-me sobre o que veste, e eu te falarei de cores, pergunte-me sobre as suas canções, e eu intuirei qualquer escape de tom, mas nunca sobre uma marca que lhe acompanha por todos os dias. Como opinar acerca do irreversível? Com dedicatória à Bela Navarro.



[ficha técnica]

texto - saulo dourado
leitura - saulo dourado
música - joão vinícius
vídeo - breno fernandes [captura] e joão vinícius [edição]

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Relatos Post Mortem



Sempre pensei que a morte está bem perto. Anda atrás da orelha, como a pulga, e nós, desatentos, é que não a vemos. É um olhar despreocupado, nunca tive medo e, sim, curiosidade. Escrevi, então, como quem fala do que há à janela. Duma praça amiga dos olhos, de uma montanha há séculos na paisagem, do carteiro que passa todo dia à mesma hora. Um desdém a ela que nos espreita a todo instante, mas só se dá a quem se entrega por inteiro. Para matar a curiosidade sem perder o tempo.


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ilustração - pedro fernandes
texto - álvaro andrade
leitura - breno fernandes
música - joão vinícius

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Memória


O recordo ten o que a dor chama fotografías sen sentido, pero que viven dentro de nós. É como si o recordo falase dunha historia que non coñece, pero si sentiu como súa. A capacidade das persoas para ser outros ata sen querer...



[ficha técnica]

texto, voz e imagem - lois blanco
música - breno fernandes e joão vinícius

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Bússolas apontam para o Norte



o poema tem que jorrar da alma e rasgar o peito e o que fica à mostra eu exponho controversa, vermelho escarlatizando cálidos versos... e ofereço a saudade em flor quando ofertada nos beijos que não te dou.


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[ficha técnica]
texto - sheyla de castilho
leitura - gabriel camões
música - joão vinícius

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Inveja

Tenho inveja de pedra, de árvore, de água.
Não porque não morrem, que a morte é o sentido da vida.
Não porque não deixam a manhã perdida, sucumbindo na televisão.
Não porque parecem não se incomodar com o que sem saber acontece de acontecer, porque o imprevisto é o presente.
Não porque montanhas, rios, jaqueiras, são maiores que os homens. Gigantes não acampam em cavernas, não mergulham em cachoeiras nem dormem debaixo da sombra.
Tenho inveja de pedra, de árvore, de água porque elas não se fazem de otárias.



[ficha técnica]

texto, leitura e música - gabe pardal

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

La Chanson du Soleil

Amor expressionista -- há quem não resista
o eu-lírico feminino sob uma óptica machista
Nosferatu me desculpe, mas eu sou mais realista.



[ficha técnica]

letra, voz e música - joão vinícius
edição - joão vinícius
fala introdutória - breno fernandes
imagens -
nosferatu [1922, f. w. murnau]

domingo, 9 de agosto de 2009

La Culture Émotionnelle

Não sei bem o que dizer sobre isso... Talvez seja mais uma tola e naive canção de amor. Mas talvez seja um retrato dos desentendimentos entre duas pessoas que um dia se amaram e, depois, tornaram-se simplesmente habituadas uma a outra. Os caminhos se separam, as direções olhadas são distintas, e aí chega o ponto que nenhum dos dois fala mais a mesma língua.


[ficha técnica]

letra - marccela vegah
voz - marccela vegah e joão vinícius
música - joão vinícius, com improvisação de saulo dourado [chocalho]

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Soneto da Encruzilhada



Em seu antigo blog, o escritor Daniel Galera escreveu, a respeito do contexto de criação de Até o dia em que o cão morreu, que chamava a sua atenção "um fenômeno de certa apatia entre as pessoas da minha idade e minha classe social, um excesso de possibilidades que desnorteava as pessoas, tornava tudo no mundo equivalente, e portanto igualmente desinteressante."

Eu percebo algo similar em muitas pessoas da minha idade e minha classe social, eu inclusive. Sonhamos em fazer um pouco de tudo na vida, mas, sem saber por onde começar — ou ter ânimo para começar –, às vezes optamos por continuar sentados na mesa do bar, sonhando. Nos dá pavor a ideia de escolher um caminho e gastar a carta da escolha.

Estamos parados na encruzilhada das possibilidades infinitas.

versão 1


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versão 2

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[ficha técnica]

texto - breno fernandes
leitura - álvaro andrade [versão 1] e pareta calderash [versão 2]
ilustração - álvaro andrade
música - cebola pessoa

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Die Verwandlung (excerto)

Há tempos, eu (Breno) levei para um de nossos encontros uma canção do Mestre Monclar Valverde cuja letra era o início de A Metamorfose, de Franz Kafka, em francês. É uma música belíssima: para além da cadência do texto -- não lembro quem foi o tradutor, perdoem, só me recordo do fato de que era poeta -- para além da cadência do texto, a melodia cria uma atmosfera que transita entre luz e sombra, como a própria obra do Kafka.

Kafka é um de meus autores favoritos, uma referência tanto literária quanto filosófica. Quando, então, descobri que Vegah falava alemão, não pude deixar de pedir-lhe que me lesse o princípio de A Metamorfose no original. (Kafka, apesar de ser checo, escrevia em alemão. Se você tem uma ideia incrível...)

Queria escutar a sonoridade, a força das palavras que ele escolheu. Como João também estava seduzido pela desafio de tentar criar sua própria leitura da atmosfera da obra (e acho que ele conseguiu bastante bem), resolvemos gravá-la, e aí está. Um singelo presente àqueles que, como nós, admiram este autor.

Vou aproveitar a deixa para falar ainda da nossa produção em outras línguas. No último encontro, Saulo e eu conversávamos sobre isto. Para não mencionar o fato de um dos nossos barulhentos (Lois) ser galego, o que pontuei naquele momento foi que, de certa forma, pode ser mais fácil escrever em outra língua, porque, com nosso vocabulário restrito, acabamos por aceitar aquela única palavra que sabemos para representar algo. A nossa língua-mãe, ao invés, se nos apresenta um amplo leque de opções, nos deixa escolhas -- e todos que escrevem sabem a tarefa árdua que pode ser escolher entre um mas e um porém.

Para estender meu argumento, cito Borges, um texto fruto de uma conferência, intitulado Pensamento e Poesia, que me foi apresentado pelo próprio Monclar. A tese sustentada por Borges aí é a de que a ideia válida para a música, sobre a impossibilidade de cindir a forma da substância, também o é para a poesia.

Em seus estudos histórico-linguísticos, Borges nos mostra que as palavras não começaram abstratas (no sentido de convencionadas), mas concretas, com um forte significado, envoltas em mágica -- “acredito que, nesse caso, 'concretas' signifique quase o mesmo que 'poéticas'”, escreve ele. Para deixar cá um exemplo, vale transcrever sua análise da palavra “noite”:

“...podemos presumir que, de início, ela representava a própria noite – sua escuridão, suas ameaças, as estrelas cintilantes. Então, depois de tanto tempo, passamos ao sentido abstrato da palavra 'noite' – o período entre o crepúsculo do corvo [...] e o crepúsculo da pomba, o princípio do dia.”

Com todas as nossas limitações, nós gostamos de pensar que buscamos essa concretude mágica das palavras. Em todas as línguas com as quais nos relacionamos.

That's all, folks.




[ficha técnica]

texto - franz kafka [a metamorfose, no original]
leitura - marccela vegah
música - joão vinícius

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Happy Monday

Segundas feiras podem ser felizes, assim como paixões à primeira vista podem ser infelizes. Os paradoxos da vida, enfim...




[ficha técnica]

letra e melodia - marccela vegah
voz - marccela vegah
música e segunda voz - joão vinícius

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Coisa de cinema

Uma carta de amor ao universo da sétima arte... Ou seria a proposição de um jogo de palavras com os títulos de filme contando uma história de amor? Ou uma brincadeira irreverente repleta de referências cinematográficas lhe fazendo se confundir sobre o que é ou não filme nesta história? Enfim, algo assim. E vale a pena ver de novo. E de novo. E de novo. E de novo...




[ficha técnica]

texto, leitura e edição - gabriel camões
trilha e ambientação sonora - cebola pessoa

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Pra não dizer que não falei de amor

O vídeo abaixo apresenta Gabriel Camões e João Vinícius cantando uma antiga composição em parceria, Pra não dizer que não falei de amor, na reunião do Coletivo de ontem. Seguramente postaremos, no futuro, uma versão melhor trabalhada da música, mas vale o vídeo como registro de uma bela canção e também do clima que permeia nossos encontros.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Plataforma Blues

O BLUES urbano, o caos do vazio, o compasso da solidão. O deboche é a ferramenta principal de quem pensa que não tem mais nada a perder. Um brinde à plataforma que nos abriga enquanto aguardamos o trem da felicidade!


[ficha técnica]

letra e melodia - joão vinícius
voz, violão e guitarra - joão vinícius
poema recitado - paulo leminski

Desligue a TV

Dizem por aí que "uma imagem vale mais do que mil palavras"... E o que dizer de várias imagens? E o que não dizer? Pois é, tive a sacação de filmar a idéia desse texto que fiz aqui pro coletivo. Foi do nada, por nada, de madrugada, numa sentada... E o resultado deu nisso daí que vocês vão ver agora. Desligue a Tv. Aperte o play. Vire a página. Proteste. Grite “Fora Sarney”. Foda-se se o Bonner irá te ouvir ou não. Se a sua consciência o ouvir já será uma boa coisa. Pronto, falei...



[ficha técnica]

texto, leitura, interpretação e edição - gabriel camões
mixagem e ambientação sonora - joão vinícius

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Técnicas de masturbação entre Batman e Robin (A solidão)

Ao contrário de Madame Bovary e O Grande Gatsby, em que Cebola e João, respectivamente, tiraram melodias a partir de excertos que eu li por acaso durante nossos encontros, agora -- agora João já vinha pensando obcecadamente em uma melodia por semanas, tinha mesmo o refrão pronto e, tão logo me ouviu ler o trecho de um livrinho do colombiano Efraim Medina Reyes, soube que tinha achado o que faltava para sua música.

Técnicas de Masturbación entre Batman y Robin é uma coletânea de novelas de um humor ácido e triste sobre o amor. O que apresentamos aqui é uma reflexão sobre a sua raiz: a solidão.




[ficha técnica]

texto - efraim medina reyes e joão vinícius
leitura - breno fernandes e joão vinícius
música - joão vinícius

terça-feira, 21 de julho de 2009

Vida Revista

Folheando, sem pretensões, algumas poucas páginas de um revista de assinatura obrigatória, cheia de páginas e em permanente construção. Uma revista chamada "Vida" e que apresenta conteúdos diferentes para cada par de olhos que nela repousa.



[ficha técnica]

texto - gabriel camões
leitura - gabriel camões
música - cebola pessoa

terça-feira, 14 de julho de 2009

Álcool e Cigarro

Tudo que uma mulher apaixonada precisa ouvir.


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[ficha técnica]

leitura - gabriel camões
texto - joão vinícius
música - joão vinícius

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Soldado Amarelo


Numa escala entre um caminho e outro, em Charlotte - USA, passou por mim o tal soldado. Mas... soldado?, pensei. Ele é da minha idade ou ainda mais jovem que eu! O espanto. O texto saiu gritando pelos dedos, agarrou com força as páginas de um bloquinho de papel, como se tivesse medo. Continuei o caminho que era meu, mas aquele soldado também era eu.



[ficha técnica]

ilustração - álvaro andrade
texto
- álvaro andrade
leitura -
álvaro andrade
música -
cebola pessoa

terça-feira, 30 de junho de 2009

Garota


Numa sociedade moderna, em que os valores são questionados sem tabus ou distinção de sexo, meros detalhes ainda servem de subterfúgio para uma natureza sexual, ou para à partir dela tirar proveito. Neste caso, a redenção do coração de um homem suplanta toda e qualquer distinção de que este tenha que agir como tal. A cabeça perde a razão e o coração bate mais alto.

Garota I


Garota II


[ficha técnica]

ilustração - marceleza
letra e melodia - joão vinícius
voz e leitura - joão vinícius
música - joão vinícius
música incidental em Garota II - I believe in miracles [dee dee ramone e daniel ray]

terça-feira, 16 de junho de 2009

Receita de Chapati

Quem vê assim prontinho não imagina a quizila que deu. Foi preciso desacertar duas vezes - erra até mais, a gente - pra ganhar a vida própria e ficar independente. Assim sendo, não é mais meu, falei. Eu sou só, o começo, mas o filho é de três. É o que agora? Animação? Música? Poema? E que te(i)ma! Não quero mais tomar parte: resolvam vocês essa arte.




[ficha técnica]

ilustração e animação - marceleza
texto
- álvaro andrade
leitura
- álvaro andrade
música
- joão vinícius

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Lubrifica Menina


Eis aqui uma tradução poética da masturbação feminina. A cada toque uma descoberta, a cada sussurro uma (auto-)afirmação. Em meio às figuras e metáforas, o tesão transcende a poesia e combate o pudor. Lubrifica é um imperativo mal utilizado que cede espaço à liberdade de ser e sentir como se queira; uma oportunidade ao desejo. Sem mais delongas, é sempre tempo de lubrificar o amor, o rancor, as ideias e o pré-conceito... Sem fluidos a vida não flui.


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[ficha técnica]

ilustração - marceleza
texto - verónica méndez
leitura e gemidos - verónica méndez
música - joão vinícius

domingo, 7 de junho de 2009

Quando a chuva enche a lagoa


Ouvidos atentos para as melodias de um dos tantos encontros mágicos promovidos pela natureza.

"A eternidade ecoa / quando a chuva enche a lagoa."



[ficha técnica]

imagem - autor desconhecido
texto - cebola pessoa
leitura - cebola pessoa
música - cebola pessoa

terça-feira, 2 de junho de 2009

Ensaio para uma última conversa

Uma história. Sem muitos capítulos e sem maiores reviravoltas. Um sofá. Com muitos capítulos e reviravoltas maiores que o próprio móvel. E a vontade de dizer pra si mesmo as últimas palavras de um diálogo interno. O último suspiro antes de pedir à vida a conta dessa farra e deixar as lembranças e aquele sofá para trás, pra, (quem sabe) lá na frente, revirar a alma pelo avesso em um novo sofá. Ou numa nova vida.



[ficha técnica]

texto - gabriel camões
leitura - gabriel camões
música ambiente e ambientação - joão vinícius

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Wi Pití Pití

Nascido e criado nas praias da Cidade Baixa de Salvador, este filme é danado como eu/como você!

Uma Ode atochada num mundo Pós-Moleque que teima e vive se bulindo todo enfiado. Docu-Drama-Fake-Sexy-Mama.

Bem vindos ao meu ensolarado universo, o qual exploro e sobre o qual me debruço sem nenhum escrúpulo ou pudor, indo da Lambada escrota de Michel Nerplat até a um revisitado arrocha de Cebola Pessoa. Dos amores de um velho lobo do mar, como o Prof. Dilton Rossi e um casal adolescente, até uma fictícia relação de Preto e Branca circundados pelas doces letras do saudoso Poeta do fim do dia, José Maria Nunes Marques.

Fiquem a vontade e bom filme. CURTA AÊ!



[ficha técnica]

direção - expinho
produç
ão - chimichanga filmes
elenco - alice marques, alex cicinho leite, luana leão, yanna karolina, joão marcelo

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Lê Minski


Um dia alguém me disse que existem dois tipos de pessoas no mundo: As pessoas que costumam fazer homenagem a outras e as que são dignas e merecedoras de serem homenageadas. Leminski é uma daquelas pessoas que merece mais que uma homenagem. Mais que muitas. Mais que uma vida inteira de poesia. Leminski é mais que uma pessoa. Mais que muitas. Mais que uma vida inteira de poesia. Aqui tentei fazer a minha parte. A primeira parte de muitas. A primeira parte de uma vida inteira de poesia.



[ficha técnica]

manipulação de imagem - joão vinícius
texto - gabriel camões
leitura - gabriel camões
música - joão vinícius

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Café Blasé

Quem lida com criação e tem um computador como ferramenta bem sabe da necessidade daqueles 10 minutos de descanso de duas em duas horas, três em três, pouco importa. Os 10 minutos. A pausa pro café, quem sabe um cigarro. Café preto, bem forte, com aquele leve gosto de torrado da cafeteira Wallita, que está alí sempre presente aquecendo o que te faz esquecer que água existe na jornada de trabalho. O cigarro, quando não te toma como um dependente, completa o STATUS. A leve cruzada de pés, em pé com um dos ombros encostado na parede, sozinho ou acompanhado. Está agora configurado o tipo Café Blasé.



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[ficha técnica]

texto, música e melodia - joão vinícius
leitura e voz
- joão vinícius

terça-feira, 19 de maio de 2009

Recado de ontem

Que este não seja o último suspiro de inspiração de um amigo.



[ficha técnica]

texto - saulo dourado
leitura - saulo dourado
música - joão vinícius

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Canção de amor

A canção na qual eu não acredito mais, falida nas rádios e mídias audiofônicas, ainda permanece sincera por entre os acordes e versos das canções de amor. Por mais que estas sejam feitas aos quilos por compositores que gananciam a fama, sustentam sua sobrevivência, ou mesmo pelo amador que escreve da porta do quarto para dentro, em algum momento, um intervalo de tempo em que o lápis não toca o papel, um minuto de silêncio é gerado. Este é o silêncio mais genuinamente sincero, que só quem escreve uma canção de amor ainda carrega consigo.



[ficha técnica]

texto - joão vinícius
leitura - joão vinícius e breno fernandes (trecho em francês)
música - gabriel camões (voz), joão vinícius (melodia, guitarra e violão), rafael campêlo (baixo) e igor andrade (bateria)

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Sina

O maior presente que a minha mãe e o meu pai me deram foi o meu nome. Mais que a vida. Porque esta é inerente, um cumprimento meramente biológico, que serve apenas aos vermes, no fim. Já o nome, como a obra, é o que fica. Mesmo que seja por uma geração, somente. Se for. E além do símbolo, o presente me traz também a compressão mais aguda do que a ânsia por oxigênio: a obrigação de sagrar o meu legado.



[ficha técnica]

texto - emmanuel mirdad
leitura - emmanuel mirdad
música - cebola pessoa

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Palabras

Isto é unha pequena improvisación.


[ficha técnica]

texto - lois blanco
leitura - lois blanco
música - joão vinícius

sexta-feira, 8 de maio de 2009

A hora da borboleta

Sei que vai ser difícil acreditar, mas este texto era parte de uma história de terror, até aparecer essa música sexy, algo psicodélica, que raptou o excerto e tomou-o como seu. Não tentei um resgate, essas coisas acontecem, textos são tão volúveis quanto as pessoas em seus relacionamentos, e o que todo mundo busca, enfim, é um encaixe perfeito.


[ficha técnica]

texto - breno fernandes
leitura - verónika méndez
música - ugo sangiorgi

quinta-feira, 7 de maio de 2009

S2

Ele cedeu. Depois de muito insistir, desde a formação deste coletivo, o querido amigo e literato ("temporariamente despraticante") Saulo Dourado compareceu a uma reunião para o registro de alguns dos seus trabalhos. Dentre estes, uma frase.

O que fazer com uma frase? Muita coisa. A prova está aí.



[ficha técnica]

texto - saulo dourado
leitura - saulo dourado, joão vinícius, marcelino freire, bernardo de paula, álvaro andrade, breno fernandes e gabriel camões
música - joão vinícius e o espírito de maria bethânia, através de gabriel camões (capela incidental)

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Notícia de uma coluna social no jornal de segunda

A primeira vez que falei esse poema foi há duas semanas atrás no Corujão da Poesia da livraria Letras e Expressões lá do Leblon. Eu costumo iniciar de forma bem alegre a visualização do espetáculo que é essa mulher, e da sensação de fama e brilho e barulho e espanto que ela causa. Depois minha voz toma um aspecto mais duro, se envolvendo com o silêncio, revelando minimamente as cenas finais. Lá no Corujão, quando as cenas do poema chegaram ao fim todo mundo ficou em silêncio. Pensei que tivesse ofendido alguém (às vezes penso que esse texto é uma piada suja, gratuita, completamente idiota), tanto que por poucos segundos fiquei parado, olhando pro povo, querendo repartir a angústia que é chegar ao fim desse poema. Dei dois passos pra trás e assim foi. Aplausos. Os amigos vieram. Tem um buraco de bala no centro do livro.



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texto - gabe pardal
leitura - gabe pardal
produção musical - gabe pardal e joão vinícius
edição - alberto grosso

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Manual para um voo tranquilo (Marcelino descobre Pardal)

Este trabalho é um flagrante. Tendo em mãos o fanzine que o poeta e membro do Coletivo Gabriel Pardal distribui no Rio de Janeiro, com sua arte gráfica e poética, o amigo Marcelino Freire não resistiu a deliciar-se com os textos presentes no livreto. Na pausa de uma das gravações que veio fazer conosco, ele aproveitou para recitar um desses; curiosamente, o microfone já apontava pra o próprio Marcelino. Bom, era só apertar REC e registrar esse fantástico momento da descoberta de um grande poeta da nossa geração por outro, tão reluzente quanto. A prova de que arte não é concorrência. É admiração, respeito, descobertas e inspiração.



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texto - gabe pardal
leitura - marcelino freire

sábado, 2 de maio de 2009

Pelo bom uso do fogo

Vamos falar da mais pura subsistência, daquela que, em sua infinitude, desconhece a manifestação do ego e esvazia qualquer tentativa de acúmulo. Falar de quando o pote está cheio e é possível saborear a alegria de compartilhar; de quando, ausente a expectativa, se pode ver a mais límpida contemplação. Vamos falar desses momentos em que o mais corriqueiro pensamento visita a mais sublime descoberta, seja na atmosfera de um bom velho disco antigo ou na profunda magia de pescar canções no ar. Para que dentro desse instante possamos viver a grande causa que é a vida! Mesmo sem a legalização, ou sequer marcha; mesmo sem voz nos veículos de comunicação ou em filmes premiados na Alemanha, mas com a presença infinita do amor, sempre a frutificar como música o sorriso no coração de milhões. Até chegar o dia em que o homem seja reconhecido pela capacidade de propagá-lo e os encantados multiplicadores de hoje, sujeitos iluminados de uma causa sem fronteiras, se vejam ainda mais livres a ponto de serem aceitos em abraços por todos aqueles que condenam o seu modo de vida. E todo ser humano se libertará do karma da vingança, do eterno ciclo destrutivo da mente que se aprisiona no poder.

Se esta fala há de guiar os próximos dessa caminhada que nos antecede, que ela seja uma fala precisa. Uma fala que contemple toda a sabedoria de viver cada dia com aquilo que a natureza nos dá. Uma fala que traga consigo a suavidade e a envolvência de um reggae nayambinghi e que habite na imensidão de humildade que cada nova colheita haverá de nos trazer. Uma fala que, indo direto ao coração, faça a nossa satisfação da alma um fruto ainda mais verde.



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letra e música - cebola pessoa

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Arrocherie

Acho que tenho vergonha.

E acho que não sei o que fiz.



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texto - mariele góes
leitura - mariele góes
música - cebola pessoa

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Homo Erectus

Um luxo só! Para entrar para a pré-história. Digo assim: essa animação brilhantemente feita à mão pelo carioca RODRIGO BURDMAN em cima do meu conto "HOMO ERECTUS" (extraído do livro "BaléRalé", Ateliê Editorial, 2003). Sem contar a fenomenal narração do grande PAULO CÉSAR PEREIO. Encostem os ouvidos e olhos nesta aventura gráfica-sonora e bora-embora.



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texto - marcelino freire
animação - rodrigo burdman
narração - paulo césar pereio

terça-feira, 21 de abril de 2009

La Caverna

A Caverna: numa escuridão, estão presos os homens. Enjaulados, só conseguem olhar para o que está diante dos seus narizes. Nada de passeios, nada de ver a luz do dia. O dia, escuro sempre, se resume a ver passarem as sombras de um mundo distante. Mas estes homens não sabem sequer o que são sombras, porque não conhecem sequer a luz! As palmas para Platão, merecidas, nos levam a carregar dentro de nós um pouco destes homens: será que vivemos cerrados dentro de um calabouço de ecos, de sombras, em que aquilo que vemos é somente o que nós temos na nossa frente? Por que meus companheiros não me vêem? Por que não sou eu aquele que pode criar isto que chamam de sombra? Por que não posso, eu mesmo, ser a luz? A luz, branca chega cega, não pertence a este lugar, a esta caverna. Precisa-se, então, sair. Agora.




Vencedor do melhor curta universitário do festival Nontzefilm 2008 (Espanha).

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elenco - joaquin navamuel
produção & realização - edinaldo mota, garazi erdaide, mireia casadevall, nina neves, ticiane bicelli
direção artística - esther camacho
orientação - rosa martins sabarís [facultad de ciencias sociales y de la comunicación, universidade del país vasco, espanha]
trilha sonora - emerson taquari ["poema percursivo"]

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Boca

Entrada e saída.


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texto - joão vinícius
leitura - joão vinícius
música - joão vinícius

domingo, 19 de abril de 2009

Poesia de outrora



Momentos vividos em outra época, palavras escritas agora, no presente. Poesia de outrora.

Texto saudosista. Uma espécie de fusão entre poema e prosa. Uma costura de pensamentos e lembranças de uma infância cada vez mais distante.

"Quando criança, como ninguém, sonhava ser alguém... Sem saber."



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foto - mariele góes
texto - gabriel camões
leitura - gabriel camões
música - joão vinícius

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Poesia Suja (Ato II)


De repente, a poesia perdida não está nas palavras, a sujeira não está na estrutura ou conteúdo, muito menos no lirismo...




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montagem - joão vinícius
texto - joão vinícius
leitura - joão vinícius
música - joão vinícius

terça-feira, 14 de abril de 2009

Poesia Suja (Ato I)


A Busca pela beleza perdida, a poesia não é mais bela, repentinamente desapareceram com ela e, pela escolha de dois caminhos, partindo de onde fora vista pela última vez, inicia-se a caçada, esta, dividida em três atos.



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montagem - joão vinícius
texto - joão vinícius
leitura - joão vinícius
música - joão vinícius

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Poema de um dia qualquer

É lamentável notar que alguns lutam sempre pela mesma causa. As causas deveriam mudar com as calças, pois é difícil ser rebelde sem elas. A vida é órfã de razão e propósito. Talvez seja por isso que tudo é absurdo quando visto, dito e observado fora do contexto original. Nada faz sentido depois de passado algum tempo. Os livros de Kafka estão velhos e caducos. Que me venham leitores revoltados! Os observadores estão cegos e dizem que o romantismo é o meu forte, o deboche também. Poema de um dia qualquer é uma dessas coisas, inteiramente, fora do contexto.


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leitura - robson carneiro
música - joão vinícius

domingo, 12 de abril de 2009

Eu corro

17h. O sol já não maltrata tanto. O ponto de partida pode ser o Porto da Barra. De início o aquecimento na baulastrada, em seguida uma corrida normal, como tantas vezes já havia feito e, como tantas outras, normal apenas no começo, até as lembranças e vozes internas te questionarem.

EXORCISAR É PRECISO!

Aumenta-se o ritmo, a corrida já não é mais na calçada, é no asfalto, é dada a largada, uma competição entre você, seus tormentos e os carros. A alma se solta, ganha asas e você já não acompanha o compasso dos pés tocando o chão.


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texto - danilo rohrs
leitura - joão vinícius
música - joão vinícius

sábado, 11 de abril de 2009

Pra mim, pra você

No final, como nem sempre o que sobra são flores, e muito menos bens materiais, o que resta são os desejos a serem repartidos.


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texto - joão vinícius
leitura - joão vinícius
música - joão vinícius

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Poesia sua

Transpirar é saudável. O suor parece um inconveniente, mas é um processo. Poetar também é saudável. A poesia parece diferente, mas também é um processo. Funkear também é saudável. O funk parece inconsequente, mas é um processo, por que não? Transpirar é preciso. Recitar não é preciso. Poesia com suor e uma pegada de funk soa como algo autêntico, ou melhor dizendo... SUA como algo autêntico.

Transpira, sua, transpira, sua... A poesia que já não é minha. Nem sua. A poesia sua...



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texto - gabriel camões
leitura - gabriel camões
música - joão vinícius e gabriel camões

terça-feira, 7 de abril de 2009

Madame Bovary (excerto)

Madame Bovary, romance escrito pelo francês Gustave Flaubert [1821 - 1880], é uma importante obra da literatura universal. Precursora do realismo, conta a história de Emma, uma mulher casada que tenta fugir da monotonia nos braços de outros homens. Não que Emma seja uma libertina, ela é apenas mais uma mulher iludida pela fábula do príncipe encantado.

Mas literatura não tem a ver apenas com o que se conta -- como se conta essa história é tão ou mais importante. E o trecho que reproduzimos abaixo é uma prova de como Flaubert sabia usar as palavras. 152 anos após sua publicação, o texto continua cheio de frescor. Um frescor que nunca se esgotará.



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texto - gustave flaubert
leitura - breno fernandes
música - cebola pessoa

domingo, 5 de abril de 2009

O Grande Gatsby (excerto)


Reunião do coletivo, 28/03. Eu e Breninho conversávamos sobre literatura, saquei O Grande Gatsby da minha estante e Breninho se lembrou de uma passagem do livro que lhe tocava demasiadamente. Após 20 minutos da procura pelo trecho, por entre as 221 páginas da edição da Abril Cultural de 1980, ele o achou, leu-o para mim. E era tanta a sinceridade com que lia, que incorporava o narrador, que parecia que o próprio Fitzgerald, desencarnado há 68 anos, lhe sussurrava os ouvidos. Não pude deixar passar aquele momento. Baseado em outra obra do próprio Fitzgerald, A Era do Jazz, desenvolvi uma atmosfera que se assimilasse a ela.



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imagem - francis cugat [capa da primeira edição de o grande gatsby, 1925]
leitura - breno fernandes
música - joão vinícius

Odisseia

O amor, o amor...


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texto - breno fernandes e joão vinícius
leitura - joão vinícius
música - joão vinícius

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Ensaio Geral (A Cidade)

Precisamos de algo mais engajado com nossa realidade moral e administrativa. Além do mais, acho que nossos contemporâneos cresceram cercados de heróis aposentados. E, apesar de termos vivido passagens interessantes na nossa cidade do Salvador, creio que muitos se esqueceram algumas delas, como a greve dos policiais de 2001, a invasão pela polícia na faculdade de direito da UFBA no mesmo ano, greves de ônibus..

Saliento-as para justificar que o que passamos não é menos romântico do que as passeatas que "esquecemos" de participar na década de sessenta. Infelizmente, apenas estas serão bravadas nos inflados e inflamados discursos dos futuros líderes de movimentos estudantis.


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letra & música - joão vinícius

terça-feira, 31 de março de 2009

Concordância Plena

O estado mais lastimável de submissão e falta de amor próprio.

Concordar e abrir mão do que você é, por pior que seja, às vezes é menos dolorido que abrir mão de quem você quer.



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texto - joão vinícius
leitura - joão vinícius
música - joão vinícius

Define sua cidade

A poesia não se entrega a quem a define, já dizia Mário Quintana. Mas a poesia pode definir muito bem as coisas, como é o caso do texto que aqui trazemos, do patriarca das letras baianas Gregório de Matos, o primeiro dos poucos gênios literários que brotaram desta terra, quase 400 anos atrás. E tão atual...


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texto - gregório de matos
leitura - breno fernandes e joão vinícius
música - dilermando reis

sábado, 28 de março de 2009

Canção do exílio baiana

Escrito por Gonçalves Dias em 1843, quando estudava em Portugal, Canção do exílio é um poema que não perdeu o viço. Talvez pela atmosfera ufanista, que eleva o Brasil ao paraíso que todos gostaríamos que ele fosse. Talvez pela simplicidade melódica e semântica de seus versos, que já foram apropriados até por professores de matemática -- Minha terra tem palmeiras, / Onde canta o Sab / Seno a, cosseno b / Seno b, cosseno a.

Não só os professores de matemática parodiam Gonçalves Dias, diga-se de passagem. Muitos foram os grandes poetas que fizeram a sua versão particular de Canção do exílio: Oswald de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, José Paulo Paes...

Com as nossas limitações, nós também fizemos a nossa.



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texto - breno fernandes e joão vinícius
leitura - breno fernandes e joão vinícius
música incidental - luigi boccherini [allegro brioso assai]
execução - sesstetto chigiano
mixagem & arranjo final - joão vinícius

O sol envolto en papel hixiénico



O lixo non está só nas rúas, nos vertedeiros, tamén está en nós mesmos. Temos dentro moitas palabras que sobran, tensións que sobran. Este traballo é a expresión do lixo non localizado, que forma parte de nós pero non sabemos por qué, non lle damos uso. Por iso nos distorsiona, obtemos un ritmo raro que se "apodera" de nós.



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foto - lois blanco
texto - lois blanco
leitura - lois blanco
música - joão vinícius

quarta-feira, 18 de março de 2009

Fim de festa



Fim de festa, o trajeto de retorno para casa é inevitavelmente um instante para reflexão. Pensamentos se formam e se desfazem com a mesma facilidade, eus-poéticos nos tomam como o anjo e o diabo, cada um de um lado, muitas vezes não para nos conduzir a ter uma atitude correta ou errada, mas para atos de reflexão. Enquanto o sol começa a lembrar-se que todo dia ele tem um cadeira cativa por 12 horas no céu, a cidade ainda dorme. Quem se dirige no sentido Orla-Centro de Salvador, certamente passa pelo Cristo da Barra, e de lá é possivel avistar o Farol da Barra sem nenhum obstáculo pela frente -- um cartão postal que te insere nesta paisagem de um céu laranja, rasgos de luz e um leve cheiro de maresia que te leva a observar o horizonte ou te conduz a contemplar a ilha.


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imagem - baixaki
manipulação de imagem - joão vinícius
texto - joão vinícius e lois blanco
leitura - joão vinícius e lois blanco
música - joão vinícius

segunda-feira, 16 de março de 2009

División Molecular

División molecular é unha metáfora da soidade. É a falta de algo que queres pero non te atreves a afrontar. Cando un se sente só e imaxina atrapa as cousas sen atrapalas, e sufre. Tamén é querer partirse en dous mentres olvidamos os nosos propios sentimentos.


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texto - lois blanco
leitura - lois blanco
música - joão vinícius

domingo, 15 de março de 2009

8x8

Entre a preocupação em tirar boas notas e a diversão de trabalhar com os amigos, nasceu o 8x8. Esse curta é uma realização de alunos de Jornalismo da UFBA, feito para a disciplina de Audiovisual. Montamos o quebra cabeças, demos forma ao nosso filhote a partir de uma livre adaptação do conto Copromancia, de Rubem Fonseca. A estrutura que sustenta o produto final é de risadas, broncas, suor, amor, gritos, nãos, sims, cervejas, poiera, vontade, sem-vontade. A liga nós demos na mão, de mãos dadas.

Selecionado para a Mostra de Cinema e Vídeo da 5ª Bienal de Arte, Ciência e Cultura da UNE, no Cine Odeon [Rio de Janeiro], ganhador do prêmio Melhor Ficção no Festival Integrado de Cinema Universitário (2006), tem seu enredo focado na invasão de privacidade, retratando uma situação extrema, quando o personagem principal se vê compartilhando uma estranha mania com a sua mais recente companheira.




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elenco - ugo sangiorgi (pedro) e lis schwabacher (anita)
direção - luigi piccolo, nina neves e edinaldo júnior
roteiro - luigi piccolo
argumento - luciana rebouças
videomakers - edinaldo júnior e nina neves
produção - nina neves e rafaela chaves
edição - edinaldo júnior, luigi piccolo, nina neves, rafaela chaves e varand@ audiovisual
orientação - ana paula guedes

sábado, 14 de março de 2009

Pós-poema

Olha eu tô muito ocupado arrumando a mochila e o apartamento aqui do lado está em reforma o barulho tá incomodando minha concentração a televisão ligada meus primos jogando video-game no outro quarto meu irmão tocando bateria e a serra elétrica do mega man na novela das oito não tá dando para arrumar a mochila com todo essa rave do trabalhador tô ficando surdo ih tô vendo tô surdo olha só o que foi mesmo que você vai dizer?



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texto - gabe pardal
leitura - gabe pardal
música - joão vinícius

quarta-feira, 11 de março de 2009

Carne Aval

Diferentemente do que é genialmente dito em "Swing de Campo Grande" pelos já nem tão novos, mas geniais, Novos Baianos, minha carne definitivamente não é de carnaval e meu coração é igual. Aí antes que você me pergunte eu digo que sim, sim, já saí sim em bloco de carnaval aqui em Salvador.

Se foi pra bater recordes de beijos, cheirar muito lança pra ficar doidão e tirar o pé do chão? Não, não, não... Pode até soar meio brega dizer isso, mas foi por amor mesmo. Em duas ocasiões acompanhei uma antiga namorada num bloco. Mas se não fosse por essa causa nobre, creio que não o teria feito. Mas valeu. Costumo dizer que vivi na pele uma experiência antropológica e tanto...

“Carne Aval” é a materialização de algumas das reflexões que em algum momento da minha vida eu fiz sobre a falta de sentido e a loucura que é experimentar fazer parte desta que é considerada a maior festa popular do universo. Acompanhem. Concordem. Discordem...


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texto - gabriel camões
leitura - gabriel camões
música e mixagem - joão vinícius

terça-feira, 10 de março de 2009

Insatisfaction

Beatles ou Rolling Stones?

Pra mim, CREAM.

No decorrer dessa vida de ouvinte de música, sempre me abordaram com esse questionamento e, por mais que a resposta estivesse na ponta da língua, sempre me senti culpado, com um sentimento de INSATISFAÇÃO, em não optar por nenhuma das duas. Parece pecado às vezes. Contudo...

-- Garçom, pede para a ANTÁRTICA descer umas BRAHMAS.

Pra mim:

-- Garçom, pede para a SOL descer umas NOVA SCHINS.


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texto - joão vinícius e breno fernandes (tradução ao francês)
leitura - joão vinícius e breno fernandes
música - joão vinícius

segunda-feira, 9 de março de 2009

O Salto




Falar de suicídio sempre foi um tema bastante delicado pra algumas pessoas... Não pra mim. Fico pensando que já somos mais de 6 bilhões no mundo e não faço a menor idéia de quantos de nós já sentiu vontade de se matar. Mas também não me importo em saber. Sei que muitos já o fizeram.

Embora já tenha desejado “morrer só um pouquinho” ou tenha sentido em muitas ocasiões uma já costumeira “preguiça de existir”, este texto em momento algum quis ser uma ode ao suicídio. Uso apenas o aspecto simbólico deste ato para sugerir que um simples salto pode dar ao corajoso que resolve pular, a condição de liberdade... Seja em sonho ou em vida.

Falo do desejo de libertação de certos padrões, valores e modelos da vida que as pessoas têm levado nas grandes cidades... Cada vez mais sujas, cada vez mais cinzas, cada vez mais caóticas. Esse foi o meu ponto de vista do alto da varanda em que me vi, naquele momento de catarse em que o lápis tocou um pedaço de papel. Isso se transformou em “O Salto”.

A parte sonora, feita por João, já existia antes mesmo de eu escrever o poema. Escrevi sem saber, mas quando falei a João, ele a tirou da manga e ela casou perfeitamente com a atmosfera sugerida no texto.



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foto e manipulação - joão vinícius
texto – gabriel camões
leitura – gabriel camões
música – joão vinícius

domingo, 8 de março de 2009

Perifton


Nunca bebo antes do meio dia, sempre achei que pegava mal, mas o bar abre às oito e eu estava mesmo afim de uma sinuca. Já reparou a quantidade de coisas que fazemos ou deixamos de fazer por simples convenção? Das coisas mais banais às decisões mais importantes de nossas vidas, muitas delas são condicionadas por coisas que nem sequer acreditamos, a começar pela idéia fixa de que todo mundo precisa estudar para ser rico. Eu desperdicei minha adolescência estudando coisas que não me ajudaram em nada com os reais problemas da vida, fiz uma faculdade na qual aprendi muito pouco sobre quase nada. Mas a vida ainda tinha suas surpresas, eram 14h e entrava pelo bar um velho amigo que já não via há muitos anos, um dos poucos que aturava o meu mau humor, seu nome era Garcia, mas os amigos o chamavam de David, porque ele tinha um olho de cada cor, como o “Camaleão”.

De primeira ele não me reconheceu, passou direto por mim e foi ao balcão pedir por cerveja e cigarros.

-- Vou acompanhar esse rapaz numa cerveja, garçom, desce duas.

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texto - danilo rohrs